Sinais / Minorias
André Ventura (2021) e grupo parlamentar do Chega (2025 e 2026): Propõe enviar à Inspeção as denúncias contra docentes e combater a «ideologia de género»
Propôs · Minorias · 24.11.2021
Propõe enviar à Inspeção as denúncias contra docentes e combater a «ideologia de género»
O projeto de 2026 pede uma diretiva às escolas «instruindo as direções dos agrupamentos escolares, que todas as denúncias devem ser remetidas para a Inspeção-Geral da Educação e Ciência, a fim de serem analisadas quanto à atuação dos docentes». Invoca o artigo 43.º, n.º 2, da Constituição: «o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas».
Iniciativa: Projetos de Resolução n.os 1015/XVII, 693/XVI e 1541/XIV
O que aconteceu: Os de 2021 e de 2025 caducaram. O de 2026 foi admitido a 02.06.2026 e baixou à Comissão de Educação e Ciência; a 11.06.2026, a comissão informou o Presidente da Assembleia de que o Chega pediu a sua discussão em plenário.
O Projeto de Resolução n.º 1015/XVII, de 28 de maio de 2026, recomenda ao Governo o programa «Escola Sem Ideologia» e uma diretiva às escolas a dizer que «não é admissível a utilização das funções de docência para fins de doutrinação ideológica dos alunos», com a instrução de remeter todas as denúncias à Inspeção-Geral da Educação e Ciência. A exposição de motivos fala em transformar «as salas de aulas em laboratórios de engenharia social massificada». O projeto não cria um canal de denúncia novo: manda encaminhar as denúncias para a inspeção.
Em 2021, André Ventura, então deputado único, propôs o «controlo, regulamentação, identificação e credenciação» das organizações que participam na educação sexual nas escolas, «para acabar com o experimentalismo social levado a cabo por ativistas e “terroristas morais” em muitas salas de aulas e escolas portuguesas» (Projeto de Resolução n.º 1541/XIV). Em 2025, o grupo parlamentar propôs que os encarregados de educação pudessem impedir os educandos de participar em atividades pedagógicas «sob a perspectiva da ideologia de género» (Projeto de Resolução n.º 693/XVI).
Os programas eleitorais repetem o tema. O Programa Político de 2019 pede «A proibição da propaganda da agenda LGBTI no sistema de ensino» e «O fim da aplicação das ideologias de inclusão e ideologia de género no sistema nacional de educação» (duas alíneas da p. 31). O Programa Político de 2021 já não tem nenhuma das duas. Os de 2024 (medida 215) e de 2025 (medida 50) propõem «Promover o combate à cultura woke e ideologia de género». O de 2025 quer que as escolas e universidades não sejam «fábricas de doutrinação» (p. 20).
Em novembro de 2024, ao apresentar no plenário a proposta «Escola sem Ideologia» no Orçamento do Estado para 2025, o deputado Gabriel Mithá Ribeiro comparou o ensino dos últimos 50 anos com o do tempo de Salazar (ver a ficha).
Fontes: Projeto de Resolução n.º 1015/XVII (texto e fases) (noutro site) · cópia (documento) (Assembleia da República), 28.05.2026; Projeto de Resolução n.º 693/XVI (noutro site) · cópia (documento) (Assembleia da República), 10.02.2025; Projeto de Resolução n.º 1541/XIV (noutro site) · cópia (documento) (Assembleia da República), 24.11.2021; Programa Político 2019, p. 31 (cópia do Wayback Machine de 29/10/2019) (documento, noutro site) (Chega), setembro de 2019 · arquivo (documento, noutro site); Programa Político 2021 (cópia do Wayback Machine de 25/08/2021) (documento, noutro site) (Chega), agosto de 2021 · arquivo (documento, noutro site); Programa eleitoral «Limpar Portugal» (2024), medida 215, p. 64 (cópia alojada pela Renascença) (documento, noutro site) (Chega), fevereiro de 2024 · arquivo (documento, noutro site); Programa Eleitoral 2025, pp. 20, 23 e 34 (cópia alojada pela FNE) (documento, noutro site) (Chega), abril de 2025 · arquivo (documento, noutro site)
Tudo sobre André Ventura →
Verificado a 18.10.2026. Um sinal não é um crime. Mostramos o facto, a data e a fonte. Encontrou um erro? Diga-nos.