Dinheiro / 16.04.2026
A Entidade das Contas deixa de divulgar a identidade dos doadores dos partidos
Em 2026, depois de um parecer da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), a Entidade das Contas deixou de divulgar a identidade dos doadores dos partidos. Os relatos sobre a origem do pedido diferem: segundo a Renascença, o tema foi levantado pelo Chega, pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda; segundo a Lusa, o BE e a CDU levantaram o problema e o Chega invocou entidades externas que alegam a proteção dos dados pessoais. Na auditoria às contas de 2020, a Entidade regista que o Chega recusou entregar os recibos dos donativos, invocando o Regime Geral de Proteção de Dados. Em abril de 2026, Ventura disse-se disponível para aprovar mais transparência e o partido anunciou um projeto de lei.
Em abril de 2026, a Renascença noticiou que a Entidade das Contas passou a facultar listas e extratos bancários «sem que os dados dos doadores estejam disponíveis»: o público pode ver os valores, mas não ligar um donativo a uma pessoa ou entidade. Segundo a Lusa, depois de um parecer da CADA, a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos «deixou de disponibilizar a identidade dos doadores dos partidos», por estar em causa a proteção de dados pessoais, e considerou depois que o regime do financiamento político «carece de intervenção legislativa» face «ao conflito» entre a proteção dos dados pessoais e a transparência.
Os relatos sobre a origem do pedido diferem. Segundo a Renascença, «pelo menos, um partido» invocou o Regime Geral de Proteção de Dados para recusar a entrega de elementos que identifiquem os seus doadores, e «O tema foi levantado pelo Chega, PCP e Bloco de Esquerda»; a Entidade pediu então o parecer à CADA, que se mostrou favorável a essa omissão. Segundo a Lusa, o BE e a CDU «levantaram o problema sobre a identificação dos doadores», e o Chega invocou entidades externas ao partido que alegam que os dados pessoais estão protegidos. No relatório de auditoria às contas de 2020, a Entidade das Contas regista que o Chega recusou entregar os recibos dos donativos, «alegando que estes dados estão protegidos pelo Regime Geral de Proteção de Dados» (ver a ficha do relatório).
A 27 de abril de 2026, Ventura prometeu um projeto de lei sobre o tema e disse que «todos os donativos, inclusive e especialmente aqueles que têm valor mais elevado, devem ter uma divulgação nominativa». Segundo a Lusa, defendeu também que a lei deve salvaguardar a privacidade dos doadores, sem revelar, por exemplo, o número de identificação fiscal, a morada ou informações profissionais.

Fontes: Vai deixar de ser possível saber quem financia os partidos políticos. Como assim? (noutro site) (Renascença), 16.04.2026; Chega disponível para aprovar propostas que tragam mais transparência sobre financiadores dos partidos (noutro site) (Lusa (via Sábado)), 20.04.2026 · Lusa · arquivo (noutro site); Chega promete projeto que equilibre transparência e privacidade dos financiadores dos partidos (noutro site) (Lusa (via DN)), 27.04.2026 · Lusa · arquivo (noutro site); Relatório da ECFP relativo às Contas Anuais apresentadas pelo CHEGA, referentes a 2020 (documento, noutro site) (Entidade das Contas e Financiamentos Políticos), 11.02.2026
Resposta do visado
André Ventura disse que o Chega está disponível para «aprovar tudo o que seja de mais transparência»: «Eu acho que se for preciso mexer a lei devemos fazê-lo no sentido de reforçar a transparência, de reforçar essa possibilidade» (Lusa). (20.04.2026)
Fonte: Chega disponível para aprovar propostas que tragam mais transparência sobre financiadores dos partidos (noutro site) (Lusa (via Sábado)), 20.04.2026 · Lusa · arquivo (noutro site)
Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, Chega · 16.04.2026 · verificado a 18.10.2026. Encontrou um erro? Diga-nos.