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Já Chega! · jachega.org/sinais/rita-matias-madalena-cordeiro-estudio-ruc/ · última verificação: 26.10.2026

Sinais / Imprensa

Rita Matias e Madalena Cordeiro, deputadas do Chega, e outros membros do partido: Entram no estúdio da Rádio Universidade de Coimbra durante um debate em direto

Fez · Imprensa · 12.10.2026

Entram no estúdio da Rádio Universidade de Coimbra durante um debate em direto
Rita Matias e Madalena Cordeiro, deputadas do Chega, e outros membros do partido

A Rádio Universidade de Coimbra (RUC) funciona no edifício da Associação Académica de Coimbra (AAC). Em fevereiro de 2026 (a 25, segundo a RUC), a Assembleia Magna da AAC aprovou, com 273 votos a favor, três contra e 30 abstenções, que o Chega não participe em eventos da AAC nem entre nas suas instalações. Para a estreia de um programa semanal de debate com as juventudes dos partidos com assento parlamentar, a RUC convidou o Chega a participar à distância; o presidente da distrital de Coimbra do partido comunicou que o Chega não estaria presente (Lusa; RUC).

O que aconteceu: A PSP identificou Rita Matias «enquanto responsável por uma manifestação que não cumpria os requisitos legais» (fonte oficial do Comando Distrital de Coimbra, à Lusa). A AAC disse ter apresentado no DIAP de Coimbra uma queixa-crime contra as deputadas e um grupo de apoiantes do Chega, por introdução em lugar vedado ao público e por atentado contra a liberdade de programação e informação, e uma queixa à Provedora de Justiça (Diário de Coimbra, 15 de outubro; Lusa, 16 de outubro). A 13 de outubro, o Sindicato dos Jornalistas tinha-se dito convicto de que não é preciso queixa para que o Ministério Público atue. No mesmo dia, André Ventura, presidente do Chega, disse: «Eu ontem vi as notícias sobre aquilo que era noticiado quase como se tivesse sido uma invasão a um órgão de comunicação social, e isso é uma coisa ridícula»; e «A lei é o que é. Aliás, penso que a lei também não permite que um órgão de comunicação social exclua uma pessoa do Chega de entrar nas suas instalações» (Lusa). A 14 de outubro, o Conselho Regulador da ERC deliberou, «por unanimidade, a abertura de um procedimento de averiguações sobre os acontecimentos ocorridos nas instalações da RUC - Rádio Universidade de Coimbra, no passado dia 12 de outubro» (comunicado da ERC).

Na manhã de 12 de outubro de 2026, as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro e outros membros do Chega entraram no edifício da AAC e no estúdio da RUC, onde decorria em direto um debate com elementos do Livre, da JS, da JSD e da IL (Diário de Coimbra; Observador; Lusa). Segundo o locutor, citado pelo Observador e pela Lusa, a emissão foi cortada quando Rita Matias pegou num microfone do estúdio; os membros do Chega gravavam com telemóveis, disseram que queriam participar no programa e só saíram quando chegaram três agentes da PSP. Rita Matias, coordenadora da juventude do partido, disse que estiveram presentes 17 jovens do Chega; o Sindicato dos Jornalistas fala em «cerca de 30 pessoas». Na versão da RUC, que é parte no caso, os representantes do partido ficaram no estúdio, «mesmo após terem sido apelados a sair», até chegar a PSP.

No dia 12, a direção da AAC escreveu num comunicado, citado pelo Observador: «Viveram-se momentos de grande tensão, após este conjunto de indivíduos se ter barricado insubordinadamente no interior do edifício, invadindo os estúdios da RUC e os gabinetes da Direção-Geral.» A 13, o presidente da Direção-Geral chamou-lhe «um flagrante atentado à liberdade de imprensa» (Lusa). O Sindicato dos Jornalistas, em comunicado de 13 de outubro, «repudia o inaceitável e antidemocrático ato de um grupo de cerca de 30 pessoas, liderado por duas deputadas do Chega, que invadiu a redação da Rádio Universitária de Coimbra» e escreve: «Uma invasão é um ato hostil, logo configura uma agressão, que é punível por lei.»

Sobre a palavra «invasão»: segundo a Lusa, Rita Matias disse ao Diário As Beiras que a ação «foi a invasão mais fácil da história da democracia portuguesa». Segundo o Polígrafo, numa entrevista à Rádio de Coimbra no próprio dia, disse ao jornalista: «Usou a palavra invasão e acho que foi muito bem usada»; num vídeo publicado depois, disse que «nós não invadimos nem entrámos de forma violenta em espaço absolutamente nenhum». Ao Polígrafo, disse: «No sentido literal da palavra, não houve qualquer invasão.» E que «a comparação foi deliberadamente irónica». O Polígrafo classificou como «Verdadeiro» que a deputada confirmou a «invasão» e depois criticou os jornalistas que usaram o termo.

Em março de 2026, as mesmas deputadas mostraram o cartão de deputadas à PSP para entrar numa reunião na Faculdade de Letras de Lisboa, o que a Comissão de Transparência considerou uma «utilização ostensivamente abusiva da prerrogativa de livre trânsito» (ver a decisão).

Associação Académica de Coimbra vai avançar com queixa contra o Chega — A associação académica convoca também concentração para quarta-feira e pede ao Chega que se retrate. André Ventura defendeu a ação das deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro.
Título e entrada da peça da Lusa publicada no Observador a 13.10.2026. Recorte: Lusa (via Observador), citação com indicação da fonte. Ler a notícia (noutro site).

Fontes: Deputadas do Chega invadem edifício da AAC. Polícia está no local (noutro site) (Diário de Coimbra), 12.10.2026; Deputadas do Chega invadem estúdio da RUC em Coimbra durante debate ao vivo e só saem com chegada da PSP (noutro site) (Observador), 12.10.2026; Rita Matias foi identificada pela PSP após invasão de estúdio de rádio em Coimbra (noutro site) (Lusa (via Observador)), 13.10.2026 · Lusa; Ventura diz que falar em invasão à RUC «é uma coisa ridícula» (noutro site) (Lusa (via Observador)), 13.10.2026 · Lusa; Associação Académica de Coimbra vai avançar com queixa contra o Chega (noutro site) (Lusa (via Observador)), 13.10.2026 · Lusa; Sindicato dos Jornalistas afirma que invasão de estúdio de rádio pelo Chega é crime (noutro site) (Lusa (via TSF)), 13.10.2026 · Lusa; Invadir uma redação é crime (noutro site) (Sindicato dos Jornalistas (comunicado)), 13.10.2026; Rita Matias confirmou «invasão» aos estúdios da RUC, mas depois criticou os jornalistas que utilizaram o mesmo termo? (noutro site) (Polígrafo), 13.10.2026; AAC apresenta queixa-crime ao Ministério Público por invasão das suas instalações (noutro site) (Diário de Coimbra), 15.10.2026; Invasão da RUC. AAC apresenta queixa à Provedoria (noutro site) (Lusa (via Observador)), 16.10.2026 · Lusa; ERC abre procedimento para averiguar acontecimentos na Rádio Universidade de Coimbra (noutro site) · cópia (documento) (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), 14.10.2026; Deputadas do Chega interrompem emissão em direto da RUC (noutro site) (Rádio Universidade de Coimbra (nota da própria rádio, parte no caso)), 12.10.2026; Participação do Diretor da FLUL - Rita Matias e Madalena Cordeiro (01.07.2026) (documento, noutro site) · cópia (documento) (Assembleia da República — Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados), 01.07.2026

Resposta do visado

Rita Matias, contactada pela Lusa a 12 de outubro, considerou «ofensivos» os moldes da participação à distância, disse que a deliberação da AAC «não é democrática nem sequer constitucional», negou ter retirado o microfone a algum dos participantes e afirmou que não havia «intenção de permanecer na rádio e de usurpar a possibilidade de fazerem a sua normal transmissão». (12.10.2026)

Fonte: Deputadas do Chega invadem estúdio da RUC em Coimbra durante debate ao vivo e só saem com chegada da PSP (noutro site) (Observador), 12.10.2026

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